domingo, novembro 06, 2005

Agenda Novembro e Dezembro


Aí esta nossa agenda de Atividades Sociais:

12/11/2005 - Grande Feijoada Beneficente realizada na Unidade de Educação Infantil Filadelfhia. Renda será revertida para as ações sociais de Final de Ano. Valor por Pessoa R$ 5,00 ( com direito a 1 Feijoada ).
Feijoada com barracas de trabalhos manuais, Perfumes importados e outras atividades. Maiores informações: (011) 6552 - 4215, 7395 - 9505, email: www.cij_guaianazes@yahoo.com.br, www.eliselorena@terra.com.br, www.eliselorena@hotmail.com, ou ainda, no endereço: Largo Gioçara, 10 - CEP 08441 - 030
Guaianazes, SP. Ao lado da Igreja Santa Cruz, Centro de Guaianazes.


12/11/2005 - Prazo final para inscrição no Campeonato de Futebol.
27/11/2005 - As 11:30 hs, Primeira Rodada do Campeonato, com os alunos do Pré Vestibular Comunitário.
04/12/2005 - As 11:30 hs, Segundo Rodada de Futebol, com os alunos do Pré Vestibular Comunitário.
11/12/2005 - As 11:30 hs, Final do Campeonato de Futebol, com os alunos do Pré Vestibular Comunitário.
17/12/2005 -Festa de Apadrinhamento das Crianças Carentes, 16:00 hs.Unidade Filadelfhia.
17/12/2005 - Churrasco Beneficente,com renda revertida para os projetos da entidade, a partir das 17:00 horas. Barracas de Bijoux, Artesanato, Perfumes Importados entre outras.
22/12/2005 - Encerramento das Atividades do CIJ - Guaianazes, com retorno previsto para 05/01/2006 - Início das atividades de 2006.

Posso gritar "Che, Zumbi, Dandara e Conselheiro", ( ouça a música )

Posso gritar "Che, Zumbi, Dandara e Conselheiro",
se não conheço a História dos afro-brasileiros?


Uma companhia para a leitura: Like a Prayer - Ouça aqui

Histórico

Os Hicsos que ocuparam o Império Egípcio no segundo período intermédio (1.640 A.C – 1.532 A.C), oriundos das terras que ficavam ao norte da Síria e Mesopotâmia, introduziram a metalurgia em terras faraônicas. Tal período coincidiu com o desenvolvimento agrícola do continente africano, isto é, o continente negro dominou da primeira metade do século XVII A.C à primeira metade do século XV da nossa era, a tecnologia do ferro. Do século XV ao XIX, isto é, durante 400 anos foram retirados de suas terras como escravos, mais de 75 milhões de mulheres negras e homens negros. Este grupo era constituído por sábios, cientistas, sacerdotisas e sacerdotes de religiões de matriz africana, além de princesas, rainhas, príncipes e reis de nações africanas.
Com a colaboração do professor Marcos José Fernandes Alexandre, sabemos que mais de 3,6 milhões de africanos na condição de escravos chegaram ao Brasil. Segundo os historiadores vieram para o nosso país originários de nove nações: Angola, Benguele, Cabinda, Congo, Mina, Monjolo, Moçambique, Quilda e o Rebollo, divididos em três grupos culturais: Bantos,sudaneses e guineanos. Ao desembarcar em solo tupiniquim, o cativo recém-chegado era chamado de Boçal. Quando o negro subjugado à força, assimilava a cultura do português, era chamado de Ladino e, todos os escravos nascidos em território nacional eram chamados de crioulos. Em solo africano os Iorubás ocupavam regiões mais ao norte da linha do Equador, já os Bantos ficavam mais ao sul. O elemento negro-escravizado sempre esteve presente nos principais momentos de transformação da história brasileira, aliado ao indígena, ao branco empobrecido e também excluído, como os demais, por uma elite e nobreza-portuguesa, em momentos revoltosos com teor popular como Palmares, Cabanos, Canudos entre tantos outros que os documentos oficiais não citaram para não estimular as ações político-organizadas de pessoas que buscavam a sua liberdade e a participação efetiva na vida pública, pelo país e o direito de serem respeitados como seres humanos.
Quando analisamos o tema proposto ("Posso gritar Che, Zumbi, Dandara e Conselho, se não conheço a história dos afro-brasileiros?") vem à tona a lembrança de movimentos sociais, de pressão popular legítima, participação atual no processo de consolidação da democracia e fortalecimento da cidadania de pobres, negros, indígenas, como é o caso dos sem-terra, sem-teto, mulheres, trabalhadores rurais, excluídos das universidades, estudantes e jovens, comumente lembramos de manifestações, atos públicos e passeatas reivindicatória em que ecoou o grito: "Che, Zumbi, Dandara e Consellheiro, na luta por justiça somos todos companheiros!!"
No marco de resistência à escravidão é importante destacar as rebeliões religiosas na Bahia, iniciadas em dezembro de 1808, lideradas por hauçás e nagôs (iorubás) unidos pela fé islâmica em uma sociedade de governo dos negros, chamada Obgoni (algumas vezes de Ohogbo). A mais importante rebelião dos negros hauçás islâmicos na Bahia foi de fevereiro de 1813, quando seiscentos homens invadiram, queimaram fazendas e mataram senhores de engenho. Ocorreram várias rebeliões deste caráter entre 1808 e 1830. No entanto, a grande rebelião baiana seria a de 1835, com os nagôs. Para historiador Jaime Pinsky, em entrevista na TV Educativa, o único movimento que oficialmente tomou o poder através das armas e manteve-se a frente do governo paraense durante um determinado tempo foi o movimento conhecido como Cabanagem cujo membros foram descendentes de índios e negros. Todos estes exemplos tinham como estímulo os anseios de liberdade, igualdade, paz e justiça, na busca da dignidade.
De todas as lutas e movimentos negros, os mais importantes são os quilombos. Quando mencionamos sobre a presença de negros organizados em movimentos de contestação, ora no caso de Palmares, com a figura de Zumbi, que na opinião de alguns historiadores foi um Estado negro dentro de outro Estado não-negro, que, juntamente a Canudos, de Antonio Conselheiro sobreviveram contra todos os interesses de âmbito comercial, político e social. A resistência foi tão grande que o Império deslocou fortíssimo aparato militar, endividando o Brasil com a compra de ganhões e armas de fogo para derrubar Palmares, que lutou durante 67 anos até ser destruído, infligindo grandes perdas aos senhores de escravos: tanto em mercenários que se pagavam para a guerra aos quilombolas ou nos estragos pela lavoura paralisada ou destruída pela falta de mão-de-obra.
Palmares "é a luta do mártir, que se transforma em herói, cria a lenda e imortaliza-se no mito – porque não aceita viver animalizado. Centenas de quilombos espalharam-se por todo Brasil. Desde 1575, quando se tem notícia do primeiro dele na Bahia, até a Abolição, nunca os negros deixaram de fundir quilombos – era a prática africana encravado no Brasil, nos primeiros tempos. Ou um núcleo de liberdade quando a maioria dos escravos já tinha nascido no país. Raros os quilombos que não foram perseguidos, cercados e destruídos. Mas todos eles ensinaram aos negros que fugiam para o mato que lutar é melhor que ficar no cativeiro."
Se outros quilombos não conseguiram a mesma estrutura de Palmares, isso não quer dizer que eles não tiveram importância: apenas eram menores, tiveram menos tempo de formação e enfrentaram situações mais adversas que as que possibilitaram a consolidação de Palmares desde 1630 – data no geral atribuída a sua fundação, que remonta provavelmente a bem antes, talvez 1602, com a reunião dos primeiros negros". José Júlio Chiavenato, na obra "O negro no Brasil – editora Brasiliense.

Palmares, Canudos, Cabanagem, Contestado, Revolta da Chibata... possuem siginificados que as aulas de história que tivemos no ensino tradicional podem não ter nos ensinado totalmente... mas, hoje, queremos saber: cada um destes movimentos populares denunciavam o quê? Lutaram a favor de quê? O que aspiravam seus integrantes? Quem eram os líderes? Quais eram negros? Qual o reflexo sentido nos dias de hoje?
O movimento negro afro-brasileiro da segunda metade do século XX é herdeiro legítimo e direto das ações, ordenada e sistematizada dos negros pertencentes às confrarias e irmandades religiosas, tal como a Irmandade da Nossa Senhora da Boa Morte, e a Irmandade da Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos que juntamente com os membros dos terreiros de Umbanda e Candomblé fomentaram a luta pela liberdade, e a manutenção dos laços culturais de seus antepassados e divindades.
A trilha percorrida por nossos ancestrais negros, passam por caminhos ora espinhosos e difíceis, ora de conquistas e vitórias. Onde este percurso desemboca? Na luta de hoje, por inclusão racial/étnica em todos os setores da sociedade. O intenso trabalho de grupos organizados e militantes das diversas linhas de atuação do movimento negro, mais recentemente, contribuiu de forma decisiva para que, a partir da década de 80, a Organização das Nações Unidas deflagrasse uma campanha mundial contra a discriminação racial e a todas as formas de intolerância. Uma das conseqüências são as políticas públicas de ações afirmativas para mulheres, portadores de necessidades especiais, negros e indígenas, das quais o Brasil, último país a acabar com a escravidão, é signatário oficial.
Fundamentos sobre as Leis que instituem o ensino da história do negro no Brasil
A Constituição Federal diz no art. 342, § 1º que o ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias que formaram o povo brasileiro. O artigo 26, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional diz que o ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições especialmente das matrizes indígena, africana e européia. A Lei 10.639 de 09/01/2003*, sancionada pelo Presidente LULA, ordena que nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira. *Já ocorreram campanhas para divulgar a Lei na íntegra e distribuir nas escolas, como meio de conscientização do povo.
A mesma Lei disciplina que o conteúdo programático a que se refere o capítulo deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinente à História do Brasil. É importante ressaltar que, conforme a Lei, os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileira. O art. 79 diz que o calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como "Dia Nacional da Consciência Negra". Na sua opinião, o precisa ser feito para a Lei "pegar"? O que fazer para a Lei não cair no esquecimento? Tudo isso vai ficar só no papel?


Contexto nacional
Aprovar a Lei 10.639, criar a SEPPIR Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, com status de Ministério, são feitos louváveis, mas ainda são raras as atitudes governamentais em se tratando de formulação de documentos oficiais para auxiliar as Secretarias Estaduais de ensino na elaboração das Diretrizes Educacionais. Muito ainda precisa ser feito, com mais presença dos Governos, quer em nível federal, quer estadual ou municipal. Não basta Ter boa intenção. O trabalho a ser feito nesta área é muito grande.
Tem sido da esfera de responsabilidade da sociedade civil organizada, a cargo das entidades, do movimento negro e de professores idealistas a difusão da história do negro no Brasil. Em geral, os educadores ao elaborar suas aulas, ora tomam por base os seus engajamentos em Núcleos de Consciência Negra nos municípios em qual residem, ora são simpáticos e aliados da causa dos Afro-Brasileiros, quase sempre por convicção do que por incentivo do Estado. Algumas atividades merecem ser destacadas como, por exemplo, apresentação teatrais, grupos de danças de Maracatu e Congada, a inserção das aulas de cultura e cidadania de cursinhos comunitários da Educafro e de outros movimentos, seminários realizados em universidades, nos NEAB´s (núcleos de estudos afro-brasileiro), cursos promovidos por ONGs. Um exemplo concreto: Em agosto de 2004, alguns militantes negros da Baixada Santista realizaram um seminário de formação para cerca de 50 professores da rede pública, abordando o tema história do negro na Brasil, com carga horária de 20 horas. Um dos educadores organizadores do evento, professor Marcos Alexandre, destacou que nas suas conclusões os professores pretendem elaborar uma proposta de ação interdisciplinar que abordem temas como: O Negro na Mídia; O Negro na Literatura; O Negro na Arte; Remanescentes de Quilombos, O Negro na Educação; O Negro na Música; As Religiões de Matriz Africana.
São percebidos avanços na ação ordenada seja em irmandades, confrarias ditas católicas mas que sempre disseminaram o estilo religioso afro, isto é, os terreiros de Umbanda e Candomblé sempre foram locais de resistência antes de tudo cultural. A longo prazo, que os afro-brasileiros tenham a consciência de seus atos: mitólogicos tendo na ancestralidade o respaldo para o seu sorriso atrevido de felicidade.
Tem crescido ultimamente a procura por centros culturais, acervos e museus que retratam a história afro. O Museu Afro-Brasil, localizado na Capital Paulista no Parque do Ibirapuera, inaugurado em 2004, projeto das Secretarias Municipais da Cultura e do Meio Ambiente, concretizado a partir de parcerias com o Ministério da Cultura, a Petrobras, o Instituto Florestan Fernandes (IFF) e a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, do Governo Federal, tem sido foco de atenção e visitação da população em geral, mas principalmente jovem, com interesse em saber um pouco mais de nossa história.


Conclusão
Para compreendermos melhor a cultura dos antepassados de todos Afro-Brasileiros no continente africano, e tanto como conhecermos a cultura de todos os antepassados dos indígenas, é importante suscitar interesse pelas seguintes áreas da Etnociência (o estudo dos sistemas de conhecimento dos diversos povos e culturas), tais como: Etnobiologia (o estudo da relação que os povos ou grupos sociais mantêm com os animais e plantas de seu meio ambiente); Etnomusicologia (estudo dos sistemas musicais dos diversos povos, em seus aspectos formais dos sons e as maneiras de combiná-los ou socioculturais, isto é, usos e comportamentos relativos à música e o papel desta, como também conhecer os cantos litúrgicos e fúnebres), Etnomedicina (o conjunto de conhecimentos e práticas médicas de determinados povos ou grupos), Etnohistória (disciplina que se dedica à reconstituição da história dos povos não-letrados, recorrendo para isto das tradições orais, evidências arqueológicas e dados lingüísticos, além da documentação histórica), tendo sempre em mente, os preceitos éticos africanos que estão enraizados em conceitos chaves como: vida; solidariedade; força e harmonia. Lembrando-se também do poder dinamizador da palavra Axé, cujo significado para todos os Afro-Brasileiros é a força que desenvolve os sentidos, isto é, o olhar, o falar, o ouvir e o pensar além do normal.
Sobre a IDENTIDADE afro da juventude, o escritor, coreógrafo, deputado federal, senador e líder negro Abdias do Nascimento mandou, através do site portal afro, uma mensagem em 2002 aos jovens negros que estão vivenciando as ações afirmativas no Brasil:
"Que sejam fiéis à nossa história, ao nosso passado e a nossa dignidade. Um dos fatores que retardam nossa marcha é a hesitação ao assumir uma identidade: muitos pensam que por terem a pele um pouco mais clara, serão considerados mulatos e não negros ou afrodescendentes, essas coisas que os brancos ainda colocam na cabeça dos negros desavisados."
"A comunidade negra tem que ser fiel a si mesma, fiel a seus antepassados, fiel à história de nossas lutas, e não deixar-se emprenhar pelo ouvido ao ficar escutando mensagens derrotistas, que se prestam a tirar a força, a energia e o ímpeto que o negro tem para lutar por seus direitos. É preciso dar continuidade à grande luta de Zumbi dos Palmares. O direito está a nosso favor. Os orixás estão nos prestigiando e nos amparando. É nossa beleza. É nosso futuro."
Desta maneira, os afro-brasileiros, como herdeiros diretos dos antepassados negros e de sua cultura, possuem a capacidade de transmutar-se de sua condição humana, para uma condição transcendental ou divina.
APONTANDO PARA O FUTURO...
Temos que nos perguntar: as gerações atuais estão tendo o devido acesso à bonita história de luta dos afro-brasileiros? Quem são os ídolos e heróis impostos pela mídia e pela cultura branca americana e européia? O que tenho eu a aprender com as estas figuras históricas que estou conhecendo agora? Che, Zumbi, Dandara, Conselheiro, João Candido, Luiza Nahim, Luiz Gama, Chico Mendes, Stive Bico, Luther King, Gandhi e tantos outros... quem são os outros? O tempo é novo e a esperança no futuro é negra. Vivemos hoje a implantação de ações afirmativas para a população negra e indígena no Brasil, em vários âmbitos. Tudo isso é fruto do sangue e da resistência de muitos séculos. Passado, presente e futuro caminham de mãos dadas. Mais do que uma estampa de camiseta, os símbolos de nossa ideologia precisam estar enraizados em nossos corações, atitudes, mentes e intuição. Axé, força na luta!


Este texto de Cidadania é uma contribuição da Equipe da Sede da Educafro para as aulas de cidadania nos núcleos. A coordenação do núcleo deve entender que este é um "ponta-pé inicial" para o tema. Procurem ter diversidade de abordagens, buscando outras fontes para estudo e reflexão. Bom trabalho a todos! Equipe de Cidadania da Educafro.